Por que o clipe de ”Você não presta” reproduz racismo + Luba e a polêmica do padrãozinho

Eu sei que eu não compactuava com essa opinião, e até recentemente numa matéria indicando artista indie eu comentei o assunto, mas, de uma forma bastante reduzida.

Como sou uma pessoa que gosta de ouvir opiniões antes de fundamentar as minhas, resolvi procurar sobre o assunto, e por que a comunidade negra denunciou racismo.

E nessas minhas andadas conheci o canal Barraco da Rosa, uma mulher negra e trans que produz um conteúdo sobre esses assunto.

No vídeo, a Rosa comenta que na adolescência sempre ouvia muito a Mallu Magalhães e gostava de canções respostas que tinham momentos irônicos e uma musicalidade gostosa de se ouvir, porém, se pergunta porque em 2017, quando os negros estão começando a denunciar racismo e falar de negritude, a Mallu resolve fazer um clipe musical e até mesmo a música, com aspectos da cultura negra, mesmo ela sendo branca, e ainda vendendo uma brasilidade se o clipe foi produzido em Lisboa.

Quando eu assisti o clipe para tirar as minhas próprias conclusões, não consegui enxergar, apenas uma situação de enquadramento, porém, mesmo não sendo intencional, o clipe reproduz racismo pelo conceito. Os enquadramentos, passarem óleo nos corpos dos dançarinos com intuito de sexualisar, ela ser a única branca no meios dos dançarinos negros e etc.

Eu sei que nessa matéria que comentei sobre o assunto eu fui muito cru e sem conceito nenhum, e acabei criticando minha comunidade. Peço desculpas.E mais uma denúncia, ao querer ver diferentes opiniões sobre o assunto, encontrei um vídeo do Izzy, YouTuber de games e afins (que não tem nada haver com o assunto), criticando as denuncias de racismo e ainda “demonizando” as pessoas que problematizam.

Uma coisa que eu me pergunto é, porque um burguês, branco, de classe média alta que nem mora no Brasil, se acha no de dizer o que é racismo e o que não é?

Esse fato, me lembra outro youtuber que eu admirava muito, porém, deu um baita close errado.

O Luba publicou no Twitter alguns meses atrás, que não gostava de ser chamado de “padrãozinho” e que pessoas usam esse termo para diminuir alguém, e tentou denunciar que chamar alguém de padrãozinho é preconceito. Além dessa bobagem, ainda lembrou uma resposta antiga para uma fã de que a Princesa Isabel salvou os negros. Vejam o vídeo para entender melhor.

Eu sei que é chato ficar criticando as pessoas assim, mas, mesmo se gostarmos delas e elas estão falando bobagem, precisamos denunciar, do mesmo jeito que denunciamos alguém como o Bolsonaro, se denunciamos ele e deixamos pra lá tipo, o que o luba fez, porque denunciamos o Bolsonaro ainda, se deixamos passar algo igual só por ser do nosso meio?

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4 comentários em “Por que o clipe de ”Você não presta” reproduz racismo + Luba e a polêmica do padrãozinho

  1. Eu não consigo entender, de verdade, essa coisa de “você não é mulher, não pode ser feminista”. Imagino uma pessoa pegando fogo na minha frente, enquanto eu seguro uma mangueira e ela fica falando “essa luta é minha, não me ajuda”. Acho que essa coisa de atacar a todos, para acertar um só, tipo no “sai hetero”, quando nem todos os heteros são machistas, homofóbicos e etc, acaba gerando uma raiva social. As pessoas querem igualdade e ao mesmo tempo não querem.
    Quanto ao clipe. Eu não consegui ver racismo nele, pois pra mim o racismo é uma situação que expõe o negro e humilha ele, o constrange e etc. Não vi isso no clipe, quando os próprios dançarinos que apareceram no clipe concordaram em estar ali. A coisa da nacionalidade, eu enxerguei como uma tentativa de levar a cultura brasileira à outra nacionalidade. Enfim, não sou negro e não posso dizer que me ofendi com o clipe. Mas se outras pessoas se ofenderam… Só acho que tem músicas e clipes que ofendem muito mais a integridade humana, tipo os clipes do mc kevinho e etc. Não vejo ninguém reclamando…

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    1. Eu entendo o seu ponto de vista, porém discordo da opinião. Racismo não é só uma humilhação explícita, racismo pode ser os enquadramentos, a situação em que os bailarinos negros estão a posição dela, é tanta coisa. Entendo que o racismo expresso no clipe não é intencional, porém como a Rosa diz, racismo é racismo.
      E no caso do feminismo, não podemos ser feministas, pois não entendemos na pele o que as mulheres sofrem. Podemos ser pro feministas, sem roubar seu protagonismo, mas se viemos algo errado e não tem nenhuma mulher ali para reclamar, cabe a nós, pro feministas a reclamar, sem roubar protagonismo de luta de ninguém.

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  2. Um adendo ao primeiro vídeo que você usa como exemplo. Ele é bem bizarro. A mulher coloca palavras na boca da Mallu, sem nem pensar que uma composição esconde sentimentos e momentos. Ela vê racismo onde não tem. Desculpa eu não consegui levar a sério, mas é uma boa pauta.

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